Saturday, June 9, 2007

Verso Refrão Verso




















VS



A ARTE DE SER ÍNTEGRO E A ARTE DE SER VENDIDO

"Sellout": "compromising of one's integrity, morality and principles in exchange for money, success or other personal gain. It is commonly associated with attempts to increase mass appeal or acceptability to mainstream society. A person who does this is labeled a sellout. Selling out may be seen as gaining success at the cost of credibility. Though generally associated with the entertainment industry, regular individuals who similarly compromise their ideals (e.g. a Bohemian individual who suddenly switches to a socially conservative lifestyle) could also be considered sellouts.", em http://en.wikipedia.org/wiki/Sellout.

Um vendido é, como citei agora, alguém que compromete a sua integridade artística, moral e social. Este fenómeno dá-se mais no campo da música (arte suprema, na opinião de Simão Fonseca) e ao longo do últimas décadas tem atormentado a mente de milhões de pessoas que (como eu) se vêem fustigadas por bandas/cantores que, por troca de um punhado de notas, comprometem a composição musical. Um dos primeiros ícones do Rock a ser tentado a vender-se pelas grandes corporações discográficas foi Jimi Hendrix: Jimi foi aliciado a aceitar um contrato com cláusulas que obrigavam o músico a reger-se musicalmente pelas linhas que a editora bem entendesse, de modo a criar canções com nível radiofónico máximo e com um "easy listening" comodista. Não só queriam mandar na maneira como a banda soava, mas também no nome da banda: Jimi Hendrix Experience passaria a chamar-se apenas Jimi Hendrix. A resposta de Jimi foi esclarecedora: nunca se iria vender por qualquer dinheiro do mundo e as editoras bem que podiam continuar a recrutar "bandas" Pop e Country.

Já nos anos '90, os Nirvana foram vítimas dos Media. A imprensa tentou sempre incutir a responsabilidade de "líder de uma geração X" a Kurt Cobain (líder da banda) e o salvador do Punk e do Rock. Cobain... não se podia estar a cagar mais para o assunto! Perdoem-me o meu português. No final dos concertos, Kurt Cobain costumava agradecer aos seus fás com frases do género "Obrigado! Nós ainda fazemos de conta que somos uma banda Punk!". Chegou mesmo a escrever um slogan para T-shirts com as seguintes palavras: "Flower Sniffin', Kitty Pettin', Baby Kissin' Corporate Rock Whores", recusava-se a tocar "Smells Like Teen Spirit" nos concertos e recusava a popularidade dessa mesma canção ("nunca pretendi que "Smells..." fosse qualquer tipo de hino, símbolo de geração ou a música mais popular de "Nevermind". "Lithium" é a minha preferida no "Nevermind" e o nome para "Smells..." veio de um desodorizante que vi à venda num supermercado!"). Mais engraçado ainda foi o nome que a banda pensava em adoptar para o seu último álbum "In Utero": "Verse Chorus Verse" (Verso Refrão Verso), em analogia ao que os "fás" esperavam da banda. Em qualquer álbum de Nirvana há uma crítica aos McDonald's, aos betos ricos, à promiscuidade radiofónica e ao tipo de pessoas que ouviam a música dos Nirvana ("é engraçado, vejo agora nos nossos concertos pessoas que sempre desprezaram o Punk e o Rock e a mim. Essas pessoas não compreendem que a nossa música não é para betinhos que se passeiam pelos shoppings e comem no McDonald's?")

De rir é o clip de "In Bloom". As poses, as roupas, o palco e as fás histéricas são uma crítica à música mainstream e falsa que era passada nas rádios, já desde os anos '50.
Quando a sua esposa, Courtney Love, comprou uma casa luxuosa a resposta de Cobain foi simples: "nunca hei-de morar nesse tipo de casas. Não pertenço aí nem quero pertencer. Podes ficar com o dinheiro que eu vivo no meu apartamento". Bom, critiquem-me, critiquem os Nirvana

Ah, e o porquê da foto dos U2 como vendidos? Bom, para embaixadores da luta contra a pobreza, eles até que nem vivem mal. A sua música é honesta e contagiante... basta ouvir "Sunday Bloody Sunday" e ouvir a colaboração com os "Punks" (mas aspas mesmo enormes à volta de Punk) Green Day. Podia ter posto fotos do Phil Collins (ex-Genesis, que trocou o Rock Progressivo pela dance/disney/pop music infantil), os Xutos & Pontapés (outros "punks" do "rock" nacional), Da Weasel (viva a TMN, o McDonald's, o HiPOP e "faz, faz, yeah yeah") ou os ziliões de Shakiras e D'zrts que proliferam no panorama nacional e internacional.

Quanto a mim, quando for grande, quero ser DJ de Trance, ter os meus "sets" a passar nas discotecas ultra elitistas das grandes cidades europeias e ter audiências vestidas com polos Gant, cintos dourados da D & G... ou posso sempre continuar a ouvir os meus CDs, ser um John Doe e esticar-vos o dedo do meio.

PS (não o Partido, claro!): não tenho grande simpatia por Dave Grohl (baterista dos Nirvana) e a sua banda Pop Foo Fighters. Ele nunca se enquadrou nos Nirvana e é, actualmente, uma das pessoas que detém mais controlo na "marca" Nirvana.

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